Sociedade

História Pregressa

 

O Governo

 

A Lei

As cidades do Novo Mundo possuem tribunais de Justiça, geralmente, constituída por dois Juízes escolhidos e enviados por Sua Majestade, assim como três Vereadores escolhidos pelo capitão-mor entre os habitantes da cidade para administrar justiça às partes. Os réus condenados podem apelar ao Ouvidor da cidade que decide o caso deve ou não ser levado para a Alta Corte, que é sediada na cidade capital de Salvador.

Existem também os Almotacés, que eram comissários incumbidos de decidir sobre as pequenas causas. Tinha autoridade e inspeção sobre a venda de mantimentos, fiscalização das obras da cidade, conservação das estradas e zelar pela boa prestação dos serviços. Por fim, haviam os Provedores da Alfândega, escolhidos também por Sua Majestade, que zelavam sobre a entrada e saída de produtos nas embarcações mercantes.

 

O Açúcar

Os primeiros anos da economia do Novo Mundo foram marcados pela extração da valiosa tintura vermelha. Esta tintura era extraída da planta nativa conhecida como Pau-Brasil. Ainda hoje esse cultivo traz grandes lucros aos colonos. No entanto, a colonização foi possível graças a outra atividade econômica: os engenhos de açúcar.

A cana de açúcar deve ser plantada e colhida nos largos campos de plantação. Em seguida, ela é moída nas moendas e fervida em caldeirões já dentro dos engenhos. Por fim, depois que o produto das caldeiras está frio e espesso, é colocado nestas calhetas onde há a ciência de fazer uma mistura de cinzas de madeira e óleos com o qual as calhetas são cobertas. Ficam aí por quatro meses, purgando toda a escória e terminando por deixar o açúcar branco como neve.

Só depois de todo esse processo, o açúcar é exportado para o Velho Mundo com seus preços exorbitantes. Afinal, esta é uma especiaria de grande apreciação em todo o mundo. E, quanto mais cresce a manufatura do açúcar, maior é a necessidade de mão de obra. É uma necessidade que movimenta assim um comércio quase tão forte e lucrativo quanto o do açúcar. O mercado de escravos.

 

Os Negros

Milhares de navios carregados de escravos chegam todos os dias nas terras do Novo Mundo. Estes escravos foram feitos prisioneiros das guerras entre as tribos do selvagem continente africano. E são vendidos por seus conquistadores aos inescrupulosos comerciantes escravistas que revendem esses homens no Novo Mundo.

Esses escravos podem ser facilmente reconhecidos por possuírem a pele de cor escura, típica dos povos nascidos no continente africano. Eles são os grandes trabalhadores dos engenhos de cana-de-açúcar e dos trabalhos domésticos. Eles podem ser comprados por qualquer pessoa. E a custos bem baixos.

O senhor de um escravo possui total direito sobre sua posse. Isso Inclui vender, maltratar, estuprar e até matar o seu escravo. E aqueles escravos que tentam se rebelar contra seu senhor acabam espancados ou mortos como punição. Em outros casos, quando ganham grande prestígio com seu Senhor, alguns poucos escravos podem ser agraciados com a “Carta de Alforria” que lhes garante a liberdade. Infelizmente, estes certamente são as raras exceções.

 

O Ouro

O comércio do Novo Mundo é realizado com moedas de metais nobres cunhadas no Velho Mundo. Elas são feitas principalmente de ouro, mas também há as moedas de prata de tamanho maior (mas de mesmo valor). Elas seguem um padrão chamado “Cruzado de Réis” que pode ser reconhecido em qualquer lugar.

A Coroa Ibérica proíbe a cunhagem de ouro na Terra de Vera Cruz. Ela pode ser realizada apenas no Velho Mundo. Esta é uma forma de controlar os impostos sobre a moeda. Para cada peso em ouro equivalente a cinco cruzados, um cruzado deve ser deixado com a Coroa Ibérica. Esse imposto é conhecido como “O Quinto”.

A busca por ouro e prata no Novo Mundo, no entanto, foi uma grande decepção para a Coroa Ibérica. Como as minas de ouro do Velho Mundo foram exauridas por milênios de exploração, logo se imaginou que as terras do Novo Mundo estariam repletas por minas virgens de civilização. Por décadas, buscou-se ouro nessas novas terras sem sucesso. Mas isso mudou recentemente.

 

As Bandeiras

Existem muitas centenas de grupos aventureiros que exploraram as terras do novo mundo em busca de ouro e outras riquezas. Inicialmente, eles eram patrocinados pela Coroa Ibérica. No entanto, nas últimas décadas, começaram a surgir grupos mais independentes. Cada um desses grupos possui uma bandeira que simboliza os exploradores que participam dele. Por isso, estes grupos são chamados de “Bandeiras”.

Algumas delas, como as Bandeiras de Amador Bueno e Manuel Preto fizeram grande fama no passado e são reconhecidas por todo o Novo Mundo. Outras, como a bandeira de Raposo Tavares, estão em plena atividade e inspiram novos aventureiros todos os dias.

Por mais de um século, nenhum ouro foi encontrado no Novo Mundo. Os bandeirantes sobreviveram da captura de nativos e animais selvagens. Por essa razão, anos atrás, a atividade começou a decair. Recentemente, a bandeira do ilustre Henrique Lobo fez um grande achado. Uma tribo de nativos no interior dos Sertões ornamentada com peças de ouro.

A quantidade de ouro na tribo era pequena, mas comprova a existência do valioso metal no Novo Mundo. Agora, cada vez mais aventureiros estão adentrando na região dos Sertões com sonhos de riqueza. Ainda é muito pouco para poder se animar, mas os ânimos já se exaltam progressivamente com a possibilidade.

 

Os Índios

Todo o burburinho atual entre os bandeirantes pode ser pela busca de ouro, mas é importante deixar claro que as bandeiras, até este momento, foram financiadas por outra atividade. Foi a captura e venda dos índios como escravos que fez o sucesso e a riqueza das famosas bandeiras de Amador Bueno e Manuel Preto. Atualmente, hoje é algo que tem sido evitado. Há cerca de vinte anos atrás, desde a desastrada bandeira de Pero Coelho de Souza no Ceará, o rei ibérico lançou leis que proíbem a prática da captura de índios.

Infelizmente, um grande mal já fora causado aos nativos do novo continente. Nem mesmo as novas leis que proíbem a escravidão indígena foram capazes de apaziguar a desconfiança deles com os povos ibéricos. Muitos foram as tribos que tomaram o lado dos invasores holandeses nas capitanias do Norte e até hoje os auxiliam nas conquistas.

Ainda maiores são aquelas tribos que não querem contato com nenhum dos grupos que hoje dividem o Novo Mundo. Entre estes, estão as tribos chamadas de Tapuias, que são aqueles que não falam a língua comum dos índios e que vivem mais aos sertões. São reconhecidamente mais violentos e de difícil trato que as tribos chamadas Tupis, que falam a língua comum e por viverem no litoral possuem uma longa histórias com os colonizadores.

 

Os Jesuítas

Não há dúvidas que as conquistas recentes no trato aos índios só foi possível graças a uma importante ordem de missionários católicos. A Companhia de Jesus foi criada para levar esta religião aos lugares mais longínquos do mundo, onde ninguém nunca foi ou mesmo tem coragem de ir. Esses bravos exploradores religiosos são chamados de Jesuítas. Eles são facilmente distinguíveis dos demais sacerdotes católicos por suas vestimentas negras e por dispensar todo o conforto que outros clérigos requerem para sua pregação.

Eles possuem um modo de trabalho muito particular. Eles andam em duplas: um diplomata e um relator. O primeiro, geralmente mais experiente, faz o contato com os líderes indígenas para pregar em suas tribos. O segundo, geralmente um noviço, tem a missão de documentar suas peregrinações. Ambos têm o poder de converter indígenas, orar para a cura de doenças, realizar casamentos, ensinar os preceitos cristãos e realizar outros dogmas da igreja. Em especial, evitar que os índios convertidos reincidam no pecado do canibalismo, tão enraizado na cultura nativa.

Conforme a normatização do famoso padre Francisco Pinto, conhecido pelos índios como o Senhor das Chuvas, os Jesuítas devem peregrinar por aldeias próximas, montando uma trilha que deve ser percorrida de tempos em tempos. As vestimentas negras e a entrega de presentes são obrigatórias no encontro com os líderes nativos, pois são vistos como sinal de respeito na cultura Tupi. Ele também preconiza o pedido de abrigo nas tribos, valendo-se de um senso como de hospitalidade que sempre lhes fornece uma tenda para trabalhar e dormir. No entanto, nem toda essa normatização e cuidado são garantias de sucesso no Novo Mundo. O próprio padre Francisco Pinto morreu com pauladas na cabeça numa de suas missões entre o Ceará e o Maranhão.

A importância dos Jesuítas tem sido cada vez maior desde a chegada dos invasores holandeses. Como a ordem permite aos seus membros pegar em armas e matar os inimigos de sua religião, muitos desses Jesuítas tem assumido uma posição combativa. O maior exemplo disso foi o padre Manuel de Moraes, que liderou um exército indígena no dia do desembarque holandês na vila de Olinda.